"O homem superior é, pois, o homem da Razão e os homens da razão são para Goethe essencialmente o Artista, o Cientista e o Grande Homem de Acção (um Frederico II da Prússia ou um Napoleão Bonaparte).
O Artista é aquele cujo espírito é sensível ao esplendor da harmonia eterna. Esse esplendor é a Beleza, e a função do Artista é fixar o Belo na palavra, no mármore, nas cores, no som a fim de que o Absoluto se manifeste em obras acessíveis ao comum dos espíritos mortais, possibilitando-lhes também a elevação ao Humano.
O Cientista é aquele que busca as leis universais, eternas, imutáveis que derivam do facto de cada ente ser um especimen de uma Forma-Função do Todo. O Cientista, quando não se deixa encadear pelas suas descobertas isoladas, mas busca nelas a Unidade Universal que as determina, dispõe de uma posição privilegiada para apreender a realidade na perspectiva do Eterno e assim possibilitar aos seus semelhantes uma igual Humanização.
Por sua vez, o Grande Homem de Acção é aquele que, no âmbito socio-político é capaz de perceber o que está caduco, que sabe utilizar os meios disponíveis com flexibilidade e audácia, para moldar as estruturas de convivência social e erguer o indivíduo isolado ao Universalmente Humano. Este Homem sabe descobrir o modo como os ingredientes das diversas situações históricas, que se vão apresentando na sua particularidade temporal, podem ser mobilizados para servir um processo de transformação que visa superar tudo o que é des-humano, isto é, particularista, fechado, isolado, brutal, caduco ou bárbaro. O Grande Homem de Acção não é o que pretende vergar pela força as situações históricas aos princípios que tem na cabeça; é antes aquele que possui a faculdade inata de espremer das situações concretas o que elas contêm de Universalizável, para instaurar e aprofundar o Humano."
Sem comentários:
Enviar um comentário